A sorte realmente ajuda a passar na prova de um concurso público?

Porque falar de sorte?


A inspiração desta postagem veio de um comentário que eu ia replicar ao nosso leitor Leonardo no Post Como passar em Concursos Públicos. Quanto mais argumentos eu tentava buscar para defender a tese de que a sorte era pouco importante, mais eu me convencia do contrário.

Vamos imaginar uma situação hipotética de um concurso com 10.000 candidatos, 100 vagas a serem preenchidas com o restante para cadastro de reserva, resultando em 100 candidatos por vaga. Neste mesmo exemplo ainda podemos ter 80 questões com 5 alternativas possíveis e o candidato analisado não sabe 4 questões.

Analisando um exemplo

Agora segue a suposta colocação, com critérios de desempate nesta ordem: Idade, peso das questões de conhecimentos específicos, peso de conhecimentos em gramática, distância do local do trabalho, considerando local informado na data da inscrição.


1º - 71 Pontos
2º - 71 Pontos
3º - 71 Pontos (3 Candidatos)
4º - 70 Pontos
...
11º 70 Pontos (8 Candidatos)
12º 69 Pontos
...
38º 69 Pontos (27 Candidatos)
39º 68 Pontos
...
89º 68 Pontos (51 Candidatos)
90º 67 Pontos
...
100º 67 Pontos (11 Candidatos)
...
178º 67 Pontos (78 Candidatos não chamados mas com a mesma pontuação do 90º)
179º 66 Pontos
...
3279º 43 Pontos – Aprovado por ficar acima da nota de corte, porém nunca será chamado.

Mesmo com 100 vagas abertas, a convocação não é tão imediata, pois depende de vários atos administrativos em conjunto, que podem ser influenciados por período eleitoral, eleições feriados. Durante os 4 meses finais temos os feriados de 07/09, 12/10, 02/11 15/11 20/11, feriados municipais, greves, festas de final de ano poderão reduzir os 4 meses finais a menos de 60 dias úteis. Falta de sorte ser convocado neste período.

 


Fator Idade e recursos
 


O 3º colocado pode ter o azar de ser mais novo ou de ter uma questão que acertou anulada. Neste último caso a questão é dada com certa para todos os candidatos e todos pontuam. Se os dois primeiros errassem uma questão que foi anulada, se beneficiariam por isso.

Empate? Vamos decidir na sorte!

 

Voltando no suposto concurso: O 3º, 4º, 38º, 39º e 90º responderam à prova exatamente da mesma forma, acertaram 67 questões, erraram direto 9 questões e chutaram 4. Podendo ter acertado 4, 3, 2, 1 ou nenhuma das que chutaram. Não é fácil classificar a sorte ou o azar deles pela probabilidade, e nem é esse o intuito, porém acertar as 4 questões represente 0,16%, 2 acertos é igual a apenas 4% e 1 acerto é igual 20%.


Vamos imaginar que dentre os 4 candidatos, 2 analisaram as estatísticas de respostas, resultando na seguinte contagem:

A=13 B=14 C=12 D=15 E=13

Segue análise das alternativas da 1ª questão:

a) Improvável
b) Improvável
c) Provável
d) Provável
e) Improvável

Sem ler o enunciado,
chegamos à conclusão que a resposta com 95% de certeza é a c), pois a d) saiu
mais vezes e elas mantém uma mesma proporção.

Partindo para a 2ª questão temos a seguinte contagem:

A=13 B=14 C=13 D=15
E=13

Com as seguintes alternativas:

a) Provável
b) Provável
c) Improvável
d) Provável
e) Improvável

Agora fica mais difícil, pois tanto a a) quanto a b) foram menos marcadas, porém se acharmos que a d) é provável, como já foi marcada várias vezes é pouco provável que se repita. Um bom chute seria a a), pois tem menos marcações.

Atualizando a contagem:

A=14 B=14 C=13 D=15 E=13Agora proponho um dilema:

A 3ª questão apresenta
a seguinte configuração

a) Provável
b) Provável
c) Improvável

d) Provável
e) Provável

Pela análise da questão temos certeza que apenas a alternativa c) está errada, e todas as outras são possíveis. Neste caso passamos para a 4ª:

a) Improvável
b) Improvável
c) Provável
d) Provável
e) Provável

Se marcarmos e) nas duas, essa alternativa atinge o valor máximo, porém é provável que apenas uma delas seja e).

A c) também tem poucas marcações, tantas quanto a e), porém pela análise sabemos que ela possivelmente não é a certa na 3ª.

A a) e b) apresentam uma marcação a menos que 15, podem ser consideradas, porém como a variação delas é pequena ela pode ter sido distribuída nas alternativas erradas (as 9 citadas no começo do exercício). E como dificilmente o candidato sabe qual errou exatamente, é necessário relacionar as que temos quase 100% de certeza para depois fazer o “chute”. Em resumo, eu arriscaria e) na 3ª e c) na 4ª.

Foi apenas um exemplo de como chutar, cada um pode desenvolver o seu método próprio. Até mesmo a sorte exige técnicas. Eu até acredito em sorte e em outras coisas intangíveis do plano espiritual. Mas são só pontos de vista e opiniões. Compartilho o que creio que pode somar, porém se para 4 questões a sorte ajudou, para as outras 67 foi a preparação e o domínio da matéria. Mas o fator sorte pode significar a diferença entre a 3ª e a 90ª colocação.

Outra técnica menos eficaz que pode ser usada é listar as alternativas que saíram menos e chutar mais vezes nelas, com poucos ou nenhum critério. Um exemplo seria “chutar d) de Deus. No exemplo acima das 4 questões duvidosas não daria resultado, porém nas duas últimas se tivéssemos escolhido a e) pensando que em ambas elas são respostas coerentes e prováveis (analisando pelo conteúdo da questão) e também saíram pouco (até então 13 vezes), seria tão válido quanto colocar e) e c). É muito comum letras se repetirem mais de 3 vezes, porém quando contamos quantidades consideráveis vemos que sempre é respeitada a proporcionalidade.

Importante: A técnica do chute não deve ser usada em provas onde uma questão errada anula uma certa, ou duas erradas anulam uma certa.

Considerações do Editor

 

Escolha o seu critério para chutar, seu “santo protetor” ou amuleto da sorte, mas principalmente, lembre-se de que na mega-sena são 6 dezenas em 60 disponíveis em um jogo que custa R$ 2,00. Em um concurso costumam ser 5 possibilidades em para cada uma das 60, 80 ou 100 disponíveis, um pouco mais difícil que a mega se contar apenas com a sorte. E o “jogo” que custa de R$ 20,00 a R$ 200,00. Arriscar ou estudar? A escolha é sua!

Esta postagem sobre a influência da sorte será incluída na versão 2.0 do
Ebook sobre Concursos Públicos, que ainda não está pronta pois também aguarda mais dicas de como chutar certo em concursos. Temos uma ordem para lançar os livros eletrônicos, e o e-book sobre Currículo
está quase pronto. A versão 1.0 do Ebook para concursos está disponível para download.

 

 

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